Transplante de Pâncreas

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Livia Ongaro - Transplante e Adoção - Uma história de superação e amor!

Data de Publicação: 03/10/2014

Fonte: Transplante de Pâncreas   


Hoje tenho 35 anos, mas quando estava com 14, descobri que era portadora de diabetes e, como toda adolescente rebelde, não quis aceitar o tratamento; Tomava insulina, mas não fazia dieta e nem tomava o menor cuidado...

O tempo foi passando e, embora soubesse das complicações ao longo do tempo que a diabetes poderia causar, seguia minha vida louca, que passou a ser mais louca ainda depois que eu completei 18 anos e perdi minha virgindade, pois achava que tinha que engravidar o mais rápido possível, pois sabia que com o passar do tempo iria ficar cada vez mais difícil e assim, mantinha relações sem prevenção e sem pensar nas consequências...

Bom, graças a Deus eu sempre tive muito mais sorte do que juízo e nada aconteceu comigo!

Aos 25 anos conheci o homem que hoje veio a ser o meu marido e com ele também não foi diferente (ou quase) porque com 6 meses de namoro o que eu sempre havia sonhado e corrido atrás, de forma tão inconsequente, finalmente havia acontecido... Estava GRÁVIDA e com a diabetes totalmente descompensada...

Nos casamos poucos meses depois e, apesar de começar a me cuidar assim que soube do resultado, tive uma gestação de risco, cheia de internações e quando estava prestes a completar 8 meses, minha pequena não resistiu e morreu na minha barriga...

Foi um choque muito grande; Na hora não consegui nem chorar... e ainda era pior, pois minha pressão estava altíssima e eles não podiam arriscar uma cesária, pois eu corria risco de morte...

Conclusão: passei a pior noite da minha vida em claro, em uma UTI com a minha bebê já sem vida na minha barriga, para poder baixar a minha pressão e, assim, realizar o "parto"!

Não teve jeito! Nada de cesária! Os médicos tiveram que induzir o "parto" normal!

Senti todas as dores que todas sentem, mas no final não tive a recompensa de ter meu bebê nos braços, mas sim um enorme vazio...

Passaram-se dias, meses, e a dor física foi diminuindo, mas o vazio não!!

O diabetes é uma doença degenerativa e, após a gestação, o mal que causou ao meu corpo, começou a se manifestarem em poucos meses... Primeiro, a visão: tive um hemorragia vítrea, que me tirou temporariamente mais de 60% da visão! Foram vários procedimentos dolorosos, algumas cirurgias e, quando ainda estava em tratamento, comecei a inchar demais... descobri que estava com insuficiência renal.

Tive que ir imediatamente para hemodiálise e precisava de um transplante duplo (rim e pâncreas) se quisesse sobreviver...

Sofria muito após as seções de hemodiálise, pois minha pressão subia muito e tinha dores de cabeça terríveis.. Perdi muitos colegas de diálise e isso começou a me fazer repensar meu modo de viver!!!

Nesse meio tempo comecei a pensar em adoção - não havia desistido de ser mãe! - e como já tinha visto minha barriga crescer e mexer e até a dor do parto senti, achei que só me faltava mesmo o meu filho em meus braços; e de comum acordo com o meu marido demos entrada nos papéis para adoção...

Depois de 1 ano e meio de hemodiálise, descobri que poderia receber o rim de um doador vivo e o pâncreas posteriormente de um doador falecido. 

E assim fizemos e no dia 04/11/2009: Minha mãe me deu a vida pela segunda vez doando um dos seus rins!!

Muita felicidade!!!

Resolvi me cuidar cada vez mais para fazer o transplante do pâncreas e ficar totalmente curada para cuidar do filhinho que Deus estava preparando pra mim...

E assim aconteceu quase um ano depois recebi o meu pâncreas que começou a fabricar insulina imediatamente!!!

Fiquei internada o tempo mínimo, mas, como ficamos com a imunidade muito baixa, após um mês de alta tive que ser internada por mais um mês para tratamento de um virus oportunista!

Quando saí do hospital, minha casa estava em obras e fui morar na casa da minha mãe por um tempo.

Quinze dias após essa ultima alta, e completamente curada, recebo o telefonema que iria mudara minha vida: O meu bebê havia chegado!! Um lindo mulatinho com 5 meses de vida que fez todo o meu sofrimento valer a pena!!!

Hoje não tomo mais insulina e a minha pressão é totalmente normal!!! Só tomo remédio para evitar a rejeição dos órgãos, mas as sequelas que a diabetes me deixou são irreversíveis, apesar de não mais evoluirem:
Tenho problemas com a circulação, uma doença chamada "Pé de Charcot" e ano passado tive que amputar o dedão do pé esquerdo...

Mas agradeço todos os dias porque na minha vida os males foram sempre os menores e aprendi com tudo isso que a dor, se encarada com dignidade, te enobrece, te amadurece, te deixa mais forte e você passa a da importância às coisas que realmente valem a pena e que vão te deixar feliz!!!

Obrigada pela atenção! E um beijo no coração de cada um de vocês.

 

Livia Ongaro

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