Transplante de Pâncreas

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O Médico Transplantador

Data de Publicação: 20/06/2016

Fonte: Transplante de Pâncreas   
Autor: Tércio Genzini, MD

Para o transplantador, planos e programações são apenas pensamentos e muitas vezes ilusões. Talvez seja esta a especialidade com um maior número de variáveis a serem analisadas no tratamento de uma doença, o ato cirúrgico é sempre duplicado pela cirurgia do doador e existe sempre 10 a 20% de imprevistos quando tudo dá certo, o que é muito alto.

O diferente na medicina dos transplantes é que o improvável torna-se um vilão que tenta estar sempre por perto, não como uma rotina mas por vezes mostrando-se presente. Os bons serviços de transplantes conseguem 70 a 80% de sucesso no tratamento de seus pacientes mas ninguém pode imaginar o quanto é doloroso lidar com os 20 a 30% de insucessos que, frequentemente significam a morte quando se fala em transplantes de fígado, coração ou pulmões como exemplos.

Um chamado da Central de Transplantes, a qualquer dia ou hora, é sempre um motivo de alegria por diversos motivos, sendo o principal a chegada da tão esperada hora de encerrar a angústia da fila de espera. Mas o improvável não perdoa, não quer saber do esforço de todos e nem do sofrimento do paciente...e então, quer mostrar que está lá. 

Dados bons do doador ,  cirurgias feita com todo o cuidado, tecnicamente perfeitas, concluídas sem intercorrências são apenas ingredientes que tornam o improvável algo mais doloroso. E, em transplantes, o improvável tem um nome que é não funcionamento primário do enxerto, ou simplesmente o não funcionamento do novo órgão ! E aí começa uma corrida contra o tempo pois a piora do paciente é muito rápida.

Todos os estudos e recursos disponíveis tentam minimizar o improvável. Muitas vezes é imprevisível e no Estado de São Paulo ocorre em cerca de 10% dos transplantes de fígado. As horas que se seguem são então de tensão constante. O paciente, que inicialmente ia muito bem torna-se um paciente criticamente grave com perspectiva de poucas horas de vida. Não há nada que se possa fazer neste momento além de aguardar um novo doador. Diferentemente de outras áreas médicas onde uma mudança de tratamento ou uma reintervenção cirúrgica a qualquer hora podem resolver o problema, nos transplantes, quando isto ocorre, tudo passa a depender de um novo doador e da consciência da sua família em doar seus órgãos. São muitas variáveis e grande parte delas fogem ao controle humano.

O sistema tenta ser ágil, a lei prioriza estas situações graves , mas o acaso, ou seja,  a chance de aparecer um novo doador,  passa a ter importante participação na definição da evolução.

Deus dê muita saúde aos pacientes que alcançam o sucesso, muita fé aos familiares dos não alcançam, proteção ao médico transplantador, que vibra com o sucesso mas morre um pouco no insucesso, e amor aos seus familiares para compreenderem sua ausência e manterem sólido o seu maior porto seguro que é seu lar.

Dr. Tércio Genzini
Dr. Tércio Genzini
Cirurgião Transplantador e diretor do Grupo HEPATO

 

 

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