Transplante de Pâncreas

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O Milagre de um Casal de Transplantados de Pâncreas/Rim

Data de Publicação: 30/05/2014

Fonte: Transplante de Pâncreas   

 

A frase que afirma que “doar órgãos é doar vida”, não deixa de ser verdade.

Ivo, de apenas 11 dias, é o melhor testemunho da cadeia infinita de vida que pode gerar aqueles que, ainda em meio à dor, decidem apostar na vida a partir da morte.

E ele é minúsculo, apenas inclinado sobre seu cachecol com luas e estrelas e, obviamente, alheio às circunstâncias excepcionais do seu nascimento, é filho de uma mulher transplantada de pâncreas e rim, e um homem que também recebeu um enxerto de pâncreas/rim.

Toda uma exceção. O bebê nasceu no dia 18 deste mês, no Hospital Privado de Córdoba, onde seus pais fizeram seu transplante e se conheceram. De acordo com os médicos da instituição, não há nenhum registro no país de outros casos de mulheres grávidas transplantadas de pâncreas/rim que deram à luz. "Inclusive a nível internacional, os casos registrados são muito poucos", disse a chefe da Obstetrícia do Serviço Privado, Claudia Travella, que apontou que, de acordo com os últimos dados do Registro Nacional de Transplantes e Gravidez dos Estados Unidos, que datam de 2007, no mundo são conhecidos apenas 56 casos de mulheres que tinham dado à luz depois de receber transplantes de pâncreas/rim. E não há, por sua vez, dados sobre crianças cujos dois pais tenham sido transplantados de pâncreas/rim.

Para reafirmar sua condição de bebê mais que especial, Ivo nasceu a tempo de comemorar com seus pais o Dia Nacional de Doação de Órgãos em 30 de maio. "Nós estamos felizes. Não podemos pedir mais da vida ", disse Valeria Suar e Fernando Escobar, os pais de Ivo. E de mim, porque seus rostos dizem tudo.

Com seu filho nos braços no departamento de Nova Córdoba onde vivem, compartilham sua história.

Após o pré-transplante, que, devido à sua dureza, quase os levou a desistir, e agora, após a intervenção: curados de diabetes que tanto os danificou, são pais e têm toda esperança à sua frente.

Ela tem 36 anos e aos 14 foi diagnosticada com diabetes insulinodependente .

Essa doença a levou à insuficiência renal e também a perder gradualmente a visão. "Eu não estava nada consciente do que o diabetes podia fazer para meu organismo , e na rebeldia da adolescência, usava a minha inteligência para enganar", diz Valéria, que é tradutora de Inglês .

Os problemas renais começaram aos 26 anos e aos 30 começaram as dificuldades de visão . No entanto, estudou, casou e depois se separou.

Sua irmã estava disposta a doar um rim, porém ela não quis porque achava que ela fosse ficar doente . Depois leu no jornal que eles estavam fazendo, em Córdoba, transplantes de pâncreas/rim . "Ai mudei de ideia", diz ela. "Ou saia viva e bem do procedimento, ou morria, porque eu não queria viver do modo como eu estava vivendo", diz ela .

Fez a cirurgia e em 10 dias estava em casa. Sem diabetes, sem insulina, e podendo comer qualquer coisa. "Agora tenho uma vida normal, só tomo umas pastilhas", ele ri, referindo-se aos imunossupressores.

O primeiro dia de sua nova vida foi no 16 de setembro de 2006. Um mês antes, e sem que nenhum deles soubesse da existência do outro, Fernando, de 33 anos e diabético desde 9 anos, também tinha recebido um transplante de pâncreas/rim no mesmo hospital.

Ele morava em Carlos Paz. Casou-se, separou-se, e há cinco anos estava em diálise, passando muito mal. A primeira chamada do hospital, quem atendeu foi seu irmão, porque ele estava na Igreja. E 15 dias depois estava de volta, em casa, com outra vida pela frente.

E nasceu o amor... No dia 6 de dezembro de 2007 o Hospital Privado reuniu todos os que ali fizeram transplante de pâncreas/rim. Neste dia, conversaram, mas ela perguntou a sua mãe, que o acompanhava, como era o moço com quem ela tanto conversava. E ele tratou de conseguir seu telefone e seu endereço. Então começaram os cafés e o intercâmbio de música. “Em fita cassetes! Dá pra acreditar que ela escutava cassetes?”, disse Fernando, que confessou que começava um amor a primeira vista.

Em setembro do ano passado, Valeria começou a sentir-se mal. “Estava cada vez mais fraca, com a pressão baixa e sentia um volume no seu abdome, pensava até que era um tumor”, nos conta ela.

Fez exames e mandaram fazer um ultrassom. Para sua surpresa o médico disse: “Parabéns, mamãe” e começou a escutar o batimento cardíaco do bebe. Estava grávida de 17 semanas de um garoto saudável. “Eu chorei, eu ri, eu não podia acreditar. Sentir estas batidas era tudo para mim e eu entrei em uma paz que conservo até hoje”. “Eu sempre quis ser mãe, mas pelo diabetes e por tudo, eu nunca tinha certeza de que seria capaz de filho biológico”, ela confessa.

Os nefrologistas que fizeram o transplante entraram em pânico. Não havia precedente e temiam pelo enxerto.. Ela foi enviada para especialistas em obstetrícia de alto risco.

Os quatro meses restantes da gestação foram supermonitorados e sem complicações. Há dez dias atrás os médicos optaram por induzir o nascimento e Ivo chegou ao mundo através de parto natural.

Todo mundo chorava. As enfermeiras, os residentes, confidencia o chefe de obstetrícia do Hospital Privado, que disse que a sala de parto era um mundo de gente. 

Com 37 semanas e meia de gestação e 2420 gramas de peso, Ivo era o mais especial dos bebes chegados ao mundo.

Família de Pais tx
Ivo no colo da mãe e com o pai

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