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Entrevistas

Dr. Luiz Estevan: O que é Nefropatia Diabética?

Data de Publicação: 13/04/2010

Fonte: Portal Diabetes   

Miriam Kunis: O que é Nefropatia Diabética?

Dr. Luiz Estevan: Nefropatia Diabética é uma doença renal decorrente do Diabetes mellitus que ocorre a longo prazo.

 
Miriam Kunis: Existe como prever se um paciente diabético tem mais propensão a desenvolver nefropatia diabética ou não?
 

Dr. Luiz Estevan: Podemos dizer que cerca de um terço dos indivíduos com diabetes tipo 1, juvenil ou insulino-dependentes vão desenvolver nefropatia diabética a longo prazo. Esse risco é um pouco menor no diabetes tipo 2, do adulto, mas como existem muito mais casos de diabetes tipo 2, o número de indivíduos com insuficiência renal decorrentes da nefropatia diabética torna-se igual em ambos os tipos.

 
Miriam Kunis: Existem estágios na Nefropatia Diabética ? E quais são os sintomas de cada estágio?
 

Dr. Luiz Estevan: No início do diabetes, o rim não é acometido. Geralmente o acometimento renal se dá após 10 anos do início da doença, no entanto existem vários fatores que vão indicar se o indivíduo vai ter ou não complicações nos rins, é o que a gente chama de fatores prognósticos da insuficiência renal.

Por exemplo, um diabético bem controlado tende a ter um acometimento renal mais tardiamente, o diabético tratando bem sua pressão arterial, o distúrbio dos lipides, o colesterol, o nível dos triglicérides, estará protegendo seus rins. Também existem medicamentos, que são usados, que também protegem o rim do diabético, então hoje em dia se indica o uso desses medicamentos numa fase que o rim ainda não está comprometido. Frequentemente, um modo de avaliar o comprometimento renal, é verificar se o paciente diabético já apresenta retinopatia, pois ambas as complicações caminham juntas.

Hoje em dia com o uso de novas terapias insulínicas, com o uso de novas drogas, se o paciente for muito bem tratado clinicamente, existem maiores chances de se prevenir a nefropatia diabética.

 
Miriam Kunis: No inicio da nefropatia diabética, existem sintomas que possam ser percebidos pelo paciente?
 

Dr. Luiz Estevan: Um dos principais sintomas que pode ser percebido pelo paciente, é quando ele apresenta espuma na urina, conhecida como proteinúria, que indica a presença de proteínas na urina. Outro sinal é a hipertensão arterial (pressão alta), esses costumam serem os sintomas mais frequentes no início da nefropatia diabética.

 
Miriam Kunis:  A não ingestão de sal, desde a manifestação da doença, poderia ser um meio de evitar a complicação renal?
 

Dr. Luiz Estevan: O sal não desempenha papel importante no gênese da nefropatia diabética, ele faz mal, no entanto para aquele paciente que já possui hipertensão arterial associada a nefropatia diabética, então ele se torna algo muito ruim.

 
Miriam Kunis: Existe algum alimento ou remédio que deve ser evitado por quem possui nefropatia diabética?
 

Dr. Luiz Estevan: O paciente que já tem nefropatia diabética instalada, em relação a dieta , deve consumir pouca proteínas de origem animal, como carnes, peixes, ovos, leite e derivados. Quem já possui nefropatia diabética, também deve evitar o consumo de sal, para evitar edemas (inchaço). Existem alguns remédios que prejudicam os rins, são os chamados antiflamatórios, usados de maneira muito comum em dores musculares.

 
Miriam Kunis: Qual é a importância do controle da pressão arterial no diabetes?
 

Dr. Luiz Estevan: No portador de diabetes o controle da pressão arterial é muito importante, pois o descontrole prejudica os rins, prejudica a retina e, consequentemente, piora as artérias, acelerando a arteriosclerose, portanto o controle da pressão arterial, torna-se fundamental, o diabético deve procurar manter sua pressão em torno de 120x80.

Miriam Kunis: O exame da microalbuminúria é importante para o diagnóstico da nefropatia diabética ?

 

Dr. Luiz Estevan: Sim, a microalbuminúria é o primeiro exame que se altera então hoje você tem chances de usar remédios que protegem os rins, sendo que o exame da microalbuminúria deve fazer parte do seguimento do paciente diabético, e quando ela começa a aparecer, você deve começar a utilizar os medicamentos protetores que são os chamados inibidores da ECA (enzima de conversão), ou então os antagonistas de angiotensina 2, podendo assim então evitar ou retardar o aparecimento da nefropatia diabética.

 
Miriam Kunis: A nefropatia diabética, uma vez instalada é irreversível?
 

Dr. Luiz Estevan: Sim ela é irreversível, o que pode-se fazer com essas medidas mencionadas como dieta, o tratamento da dislipidemia, a utilização dos medicamentos protetores dos rins, e o controle da pressão, é fazer com que o tempo entre o inicio da doença e a indicação de um transplante renal ou duplo (pâncreas/rim), passe de cinco para oito, dez ou doze anos, mas sua progressão é inexorável.

 
Miriam Kunis: Durante muitos anos se utilizou medir a glicose na urina, algumas pessoas ainda o fazem, porque esse método deixou de ser eficiente?
 

Dr. Luiz Estevan: Medir a glicose na urina é algo que não se faz mais hoje em dia, eu não utilizo esse método, o que vale é a determinação da glicemia no sangue, eu considero sem valor a medição da glicose na urina, por quem tem problema renal ou não.

 
Miriam Kunis: Em relação ao paciente diabético em hemodiálise, o aumento do número de sessões de 3x por semana para mais diminuiria as complicações?
 

Dr. Luiz Estevan: Uma diálise bem feita, evita a progressão das outras complicações do diabetes, pois o rim já se encontra comprometido mesmo, mas pode ajudar na neuropatia, retinopatia, mas não existe comprovação de que uma diálise diária possa melhorar as complicações do diabetes, e do ponto econômico parece ser complicado, e o ideal para o diabético seria fazer um transplante renal ou duplo, pois o diabético, não vai muito bem em diálise.

 
Miriam Kunis: Na insuficiência renal terminal, o tratamento seria um transplante renal. O que determina se esse transplante deve ser um transplante renal isolado ou duplo (pâncreas-rim)?
 

Dr. Luiz Estevan: O transplante isolado do rim é uma opção, desde que o paciente tenha um diabetes bem controlado, sem outras complicações, com ausência de retinopatia, sem outras patologias, e se o paciente tem a pressão boa. Nesse caso o transplante de rim isolado, principalmente com doador vivo, na fase pré-dialise, é uma ótima opção terapêutica, porque você resolve o problema da insuficiência renal, e você conta com a opção de no futuro fazer, por exemplo, um transplante de pâncreas pós-rim, agora o diabético que já está em diálise, não tem um doador vivo, e tem um diabetes descontrolado, com complicações, então se indica o transplante duplo (pâncreas/rim) concomitante.

 
Conclusão:
 

Dr. Luiz Estevan: O que deve-se levar em consideração, quer na prevenção, quer naquele paciente que já tenha indício de nefropatia diabética, é o controle adequado da glicemia e o controle adequado da pressão arterial com todos os medicamentos disponíveis. Isso é fundamental, pois além de você proteger os rins, protege também a retina e protege outros vasos também.

 

Dr. Luiz Estevan (SP) é membro do Conselho Científico do site Portal Diabetes e esta entrevista foi gentilmente concedida a Miriam Kunis, Gerente de Conteúdo do site.

Médico Nefrologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz - CRM: 11.557
Chefe do Setor Clínico da Unidade de Transplante Renal da Divisão de Clínica Urológica do HC/FMUSP

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