Transplante de Pâncreas

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CrossMatch Virtual: Saiba quais as vantagens.

Data de Publicação: 29/01/2014

Fonte: Transplant de Pâncreas   
Autor: Dr. Marcelo Perosa

O crossmatch ou prova cruzada é o exame mais importante para compatibilidade e distribuição de enxerto nas filas de transplantes de pâncreas e pâncreas-rim.

            Quando um doador de pâncreas está disponível, este órgão é ofertado ao primeiro da fila do mesmo tipo sanguíneo pelo critério de tempo de espera. A oferta só é consumada após verificação de prova cruzada negativa(isto é, compatível) entre o doador e receptor.

            Ocorre que a prova cruzada tradicional , em nosso país, é feita através do envio de linfonodos ( gânglios ) do doador falecido ao laboratório de Imunocompatibilidade, que realiza este teste cruzando-os com os soros( sangue ) dos receptores, que ficam estocados nestes laboratórios. A coleta dos linfonodos é feita geralmente durante a própria cirurgia de captação. A partir disto, é enviado ao laboratório, que leva mais 6 horas até resultado final. Isto significa que, além da cirurgia de retirada, deslocamento da equipe e do órgão entre os hospitais, perdem-se mais 6 horas preciosas de isquemia ( tempo do órgão no gelo ) até o resultado final da prova cruzada. Estas horas necessárias para a prova cruzada determinam aumento significativo de isquemia do rim e/ou pâncreas captado. O ideal é que estas isquemias fossem inferiores a 12 horas, mas, atualmente, com esta dinâmica e os testes disponíveis para compatibilidade os transplantes são realizados com tempos de isquemia entre 13 e 18 horas. Por muitas vezes, deixamos de aceitar oferta de um órgão distante pelo acúmulo de tempo de deslocamento, cirurgia de retirada e mais 6 horas para prova cruzada, o que compromete em muito o tempo total de isquemia do órgão.

            Após anos de discussão na Câmara Técnica de Pâncreas e Rim de São Paulo, decidiu-se iniciar a distribuição dos órgãos baseados no Crossmatch Virtual. O que é isto? O Cross Virtual é uma modalidade mais moderna de prova cruzada, dispensando o envio de linfonodos do doador. Nesta metodologia, todos os soros de receptores em lista sofrem pesquisa de eventuais anticorpos existentes contra o sistema HLA. Quando surge um doador falecido, através de um simples exame de sangue do mesmo, identifica-se seu sistema HLA e este resultado é enviado ao Laboratório de Imunocompatibilidade. Cruzando-se o HLA do doador com os anticorpos de todos os receptores em lista, obtem-se o Crossmatch virtual. Se o receptor em questão não apresenta nenhum anticorpo específico contra o HLA do doador em questão, a prova é considerada negativa, isto é, compatível e o transplante pode ser realizado com segurança.

            A grande vantagem deste método é a rapidez, sem perder a precisão. No mesmo momento em que recebemos a oferta do doador, antes mesmo da retirada do órgão, já temos o resultado antecipado da prova cruzada e podemos agendar a cirurgia do receptor quase em paralelo à cirurgia da captação de órgãos. A consequência mais importante é a drástica redução nos tempos de isquemia. A partir de agora, poderemos realizar transplantes de pâncreas ou pâncreas-rim com isquemias inferiores a 6 horas, contrastando com os atuais tempos entre 13 a 18 horas. O menor tempo de isquemia é decisivo para o bom funcionamento imediato do órgão, menor necessidade de diálise, de insulina e queda também na incidência de trombose do pâncreas, que está intimamente ligada ao aumento do tempo de isquemia.

            Muitos receptores de pâncreas recordam-se de quantos alarmes falsos e vindas frustradas até o hospital com cancelamento do transplante devido ao resultado , na última hora, de prova cruzada incompatível. Isto não ocorrerá mais, pois ao convocarmos um paciente, já teremos certeza de que o órgão já é compatível. Outro grande benefício será para os pacientes hipersensibilizados, que acumulam muitos anticorpos e dezenas ou centenas de provas cruzadas incompatíveis. Muitas vezes, deixamos de convocar tais pacientes pois suas chances de compatibilidade são remotas; ou , quando convocamos, a isquemia já está muito adiantada e ficamos em um dilema de prosseguir ou não, convocar o paciente ou não( vide o relato do transplante de ANA VITÓRIA, neste grupo do face). Com o Cross virtual, todos os hipersensibilizados também são testados e se houver prova compatível, saberemos antes mesmo da retirada do órgão e teremos tempo hábil de convocar estes pacientes.

            Hoje, faremos o primeiro transplante distribuído pelo Cross Virtual e conseguiremos fazer tempos de isquemia de 4 a 6hs, fato praticamente impossível com o método anterior.

            Definitivamente, entramos em outra era dos transplantes e certamente colheremos bons frutos em futuro próximo.

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